Admirável Casa Nova

15 03 2007

Sejam bem-vindos à nova casa do Grão de Pó.





As sombras de ontem

22 11 2005

O brilho dos teus olhos.
Incessante.





Vislumbres

5 10 2005

Há luzes que, uma vez acendidas, se extinguem para todo o sempre.





Apareceste-me…

26 07 2005

Apareceste-me…

…uma alegoria, uma visão, uma quimera, uma utopia.

Subitamente e de mansinho, vieste silenciosamente para mim. Tudo o que tinha sonhado se concretizou em ti, em tudo o que és, em tudo o que me fazes ser, ver, sentir, perceber. Admiro-te. Adoro-te. Quero-te.

Nas feições do teu rosto de anjo está a candura de uma frágil criança, a brandura de uma nuvem branca, a valentia do pequeno pássaro que aprende a voar, a viveza da planta que brota da semente que jaz na terra. Tens isso tudo em ti! Será que não vês como és perfeita? Tão magistralmente perfeita, tão somente tu. Tu, o teu olhar, o teu sorriso, os teus cabelos, o teu cheiro, o teu gesto, a tua voz, o teu corpo…tu!

Vejo-te sem abrir os olhos, trago-te para o pé de mim.
Preciso de ti. De tudo em ti. De tudo o que és.

É indomável o poder do sentimento. Deixo-me levar porque evocas além do ínfimo eu, porque me mostras sítios insondáveis da alma, lugares que nunca vi e onde nunca fui.

Se as palavras chegarem, se os gestos puderem…

…deixa-me mostrar-te…
…que existo para ti
…que só faço sentido contigo a meu lado
…que só sou contigo!

Vem e fica.
Agora que me apareceste, não te vás.





Sou uma ave nas mãos do teu vento

25 07 2005

Quem és?

Porque insistes em revelar-me duas faces?
Porque me gretas os pulsos com a tibieza de um olhar insensível? E porque me beijas com ardor depois?

Queria tanto entender-te, poder entrar nas raízes do teu ser e ver o que és. Queria entrar no teu universo enigmático e ver além das encriptações da tua palavra.

Queria decifrar as tuas metáforas, entender-lhes os intrincados labirintos e correr desenfreadamente até ao teu coração. E mostrar-te, sem reservas e medos, que te amo. Queres o meu amor? Dou-to sem preço, sem contrapartida, sem…Mas será que o queres para ti? Será que o podes fazer teu? Não sei…

Não sei o que és…
Perdi-me no algures do que foste…
Deste-me um admirável mundo novo, uma ternura infindável que se esvaiu nas indecisões castradoras da razão. Não queria ver-te fugir-me por entre os dedos ténues…porque não tive o afinco para te prender a mim? O que fiz mal?

Porque só vês coisas que não sou?
Porque não crês no digo?
Eu sou isto e isto sou eu. E tu…tu és o resto de mim. Completas-me. Fazes-me falta. E não percebes. Quero-te comigo. Hoje, agora, para sempre.

Não te vás embora. Fica.
Aconchega-me o espírito como fizeste antes. Mostraste-me o que nunca havia visto e viciei-me em ti. És a minha peleja virtuosa de todos os dias. Luto por ti, contigo a meu lado. Sem ti, perco o ânimo. Não tenho fôlego.

Perdi-me.
Perdi-te? Porquê?

És o que sempre fui. Tens o que sempre quis.
Mas não estás aqui. Estás além e aqui. Longe e tão perto. Não te vejo.

Vou voar até ti, nem que seja só no mundo dos sonhos. Deixa-me fazer esta utopia e levar-te pela mão ao sétimo céu. Ele é nosso. Se tu o quiseres. Eu não chego lá sozinho.

Preciso de ti.
Do teu sorriso, do teu olhar, das tuas cores e dos teus sons.
Da tua mão.
Do teu beijo.
Do teu abraço.
Que saudades…
Lembras-te?

Sou uma ave nas mãos do teu vento.
Leva-me…para onde quiseres, para onde fores…estarei contigo. Sempre.

Sempre.
Para sempre.
Teu.

Serás sempre aquela, a fantástica, a incrível…a minha…
Serás sempre.

Volta. Fica comigo.
Não te vás embora.
És tudo o que quero.





Ser ou não ser

12 03 2005

Crês.

Inocentemente, aceitas dogmas.

Não percebes que, escondido nas cortinas presunçosas da verdade absoluta, há um tabuleiro de jogo. Um xadrez em que és peão sem juízo próprio, movido mecanicamente com os trejeitos de uma marioneta. Irredarguível é o discurso com que te violam a pureza da mente e te privam, de jeito insensível, da candura angélica do mais ínfimo átomo da tua essência. Impõem-te crenças como se fossem ingénitas, furtam-te a mais basilar das liberdades. Sem ela, vives mas não és. Não podes SER quando te subtraiem a condição primaz da tua individualidade. Cedes a razão sem resistência, não te abrigas nem defendes porque não sabes que a tens. Talvez nunca a tenhas sabido tua. Afinal, é à nascença que te estrupam cruamente e te desapossam da claúsula mais idiossincrásica do EU.

Não podes lastimar a perda do que ignoras ter tido.

Sentes-te livre, VIVES sem SER. Julgas-te dono e usufrutuário de ti mas não consegues resgatar-te do encargo de besta mecânica que te deram…Supões que és feliz, que nada nem ninguém pode beliscar a tua autonomia.

Pobre coitado, caíste num logro, não vês?

Tudo o que és, tudo o que podes SER, é exógeno, não é teu. Porque da razão te despojaram quando nasceste.

Ainda crês no sofisma maior?

Voltaste a ser um macaco, uma degenerescência da espécie?

Não podes SER se não te concilias com a tua missão, se não despertas da milenar letargia. Se te limitas a crer, a presumir, a supor e a acreditar jamais te encontrarás.

Vive, mas tenta SER.

Crê, mas faz por descrer.

Sê.





A torpe presença do medo

11 03 2005

Repugna-me o medo.

Rejeito a forma disforme do seu acinte.

Intentos se quebram na raíz, desfazem-se sem resistência, acobardam-se. Vil intromissão.

Não o chamo. Não o quero. Desminto convenções. Mesmo assim, ele fica. Fita-me com desdém, traz no olhar o escárnio instintivo do logro, rouba-me a integridade. Devolve-me à frívola condição do nada, reduz-me à ínfima dimensão de grão de pó, esmaga-me entre os dedos secos. Relembra-me a contingência da incerteza. Que fazer? Que ser?

Não suporto as risadas insonoras que escuto nas profundezas da memória. Anamneses perturbáveis. Afinal também as há. Derramam-se nas veias, confundem-se no sangue, esquadrinham o corpo e tomam-no de assalto. Suores frios. Inércia inevitável. Inacção. Das sombras de antanho que cobrem o hoje, no exacto instante em que menos convêm, brotam os fluídos que secam os filões de resgate. Não há salvação. O revés anunciado do sempre confirma-se. É evidente. Degrada-me e corrompe-me. Não me mexo mas sinto-o. Está em mim. Eu faço-o, ele desfaz-me. Sou simultaneamente pai e rebento parricida. Perco-me na encruzilhada filial.

Ele cresce com o viço de um imortal. Jamais perecerá. Eu sim, às mãos desse reles parasita. Enoja-me esse invisível monstro asfixiante.

Repugna-me o medo.