Abelhas

15 03 2006

Vês como fogem?
Olha…
Como correm despudoradas e nuas
sem hesitar, as infelizes gazuas
em te estilhaçar se lhes insinuas
os teus sonhos e as cores.
vencem-te nos torpores
somem-se como vapores
de infames desamores
vão como vieram
assim os deuses as fizeram
ou deixaram corroer
em suplícios de prazer.
Têm olhares de esguelha
e ferrões de abelha
que te hão-de espetar
fazer-te sangrar
chorar
e das lágrimas celebradas
de fúrias salgadas
elas te roubam o último quinhão
a parte que resta do teu embrião
e riem
riem silenciosamente como perdidas
escarnecem das tuas investidas
fazem sarcasmo da tua fraqueza
são predadoras, e tu és presa
adianta rezares em vão?
acaso algum anjo te cede a mão?
admite, estás vencido
corrompido
exaurido
do teu ânimo só restam cacos
os teus músculos estão fracos
não sentes as pernas trôpegas?
estás à mercê das bruxas sôfregas
já nem de ti tens compaixão?
que hemorragia de razão!
é a morte certa que te dá força?
antes te quebre do que te torça
sempre foste assim
mas agora é mesmo o fim.

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