Amores (jogos cristalizados)

30 01 2006

Cansei-me dos cupidos urgentes
e dos lamentos ardentes
de espécimes carentes.
E desses gumes pungentes
com que talhas as gentes
quais troféus decadentes
dessas guerras de amores indecentes.

Cansei-me das ruínas cinzentas
de utopias pardacentas
de paixões sempre lentas.
E dessas miradas isentas
das amantes peçonhentas
das dentadas raiventas
dessas guerras de paixões quezilentas.

Como lhes caiem as máscaras…
aos guerreiros do amor
se lhes revelam as faces de jogador.
Mas…
se amar é jogar
vou esconder as apostas
vejo-me sem pagar
no espelho das tuas costas.
Desse jeito mentiroso não jogo,
deita fora as cartas e os dados, por favor
se, por mim, não passas a mão pelo fogo
não atiço, por ti, uma chama de amor.

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Do fim das vicissitudes

12 01 2006

De que côr são os olhos que se escondem atrás de mim?
Da matiz das memórias que sigo sem fim.





Retrato a controlo remoto

4 01 2006

Guardo no armário
a fotografia estimada
do ápice do teu semblante.
É justo mostruário
da saudade velada
de uma quimera distante.