Vislumbres

5 10 2005

Há luzes que, uma vez acendidas, se extinguem para todo o sempre.

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Mesquinha

3 10 2005

Mesquinha…

é cruel a tua essência
és substância em degenerescência.
Não fazes a coisa por menos…
levas-me o principal e o somenos.

Dizes que não sou niguém…
Queres privar-me de mim também?

Enoja-me a falsidade perversa com que te vestes de arcanjo
Repugnam-me os movimentos que me fazes em desarranjo.

Mas afinal quem és?

Não te vejo e sinto-te aqui.
Nas sombras vis do que perdi,
Nas formas do sonho que não vivi,
Nas revelações que não segui,
Nas palavras que não ouvi.

Olho o azul amigo do céu.
Levanto as rendas do véu.

Descubro.

Debaixo do manto da biografia,
o corpo incorpóreo que me desafia.

És a puta reles que não seduzi
e o dinheiro que não te cedi.
És a puta reles que está esquecida.
És tu, afinal, a puta da minha vida.

Mesquinha…
Escondida nos declives…

Aparece.
Estou a morrer.

Aparece de uma vez..
Mostra quem és.
Rasga-me a tez.
Corta-me os pés.

Aparece.
Ou deixa-me viver.

Aparece, mesquinha rameira
revela a tua face, puta peçonhenta
Aparece, agora, à minha beira
Ou vai-te de vez abantesma nojenta.

Mesquinha…
Deixa-me viver.